segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Passado, união, força, Futuro.



Uma matéria sobre a Revolução de 1968 me deixou pensativa por um bom tempo. Cada linha escrita me dava um misto de encantamento, admiração e inveja. Sim, uma inveja saudável, uma vontade incrível de ter feito parte daquele tempo. Duas semanas depois da leitura ainda permaneço envolta na magia daquele 'ano que não terminou'.


Os jovens de 1968 não estavam satisfeitos com a sociedade em que viviam, com guerras, repressões, preconceitos. Um mundo de poucos e onde poucos tinham oportunidade de ser. Então eles simplesmente uniram suas forças e foram atrás dos seus ideais. Utopias deixaram de ser utopias e muitas se tornaram reais. As mulheres lutaram pela sua liberdade sexual, adquiriram respeito e importância na sociedade, os negros e os homossexuais também lutaram pelo seu espaço e conseguiram uma compreensão bem maior do que tinham. Uma onda de revolução e determinação varreu o mundo, fazendo com que todos mergulhassem e emergissem numa sociedade muito melhor para si e para os que viriam. Foi para isso que eles lutaram, saíram às ruas gritando por mudanças e direitos. Talvez não medissem a dimensão dos seus atos, a herança que deixariam para a história mundial, os ecos que suas vozes fariam durantes décadas. A verdade é que a perseverança com a qual buscaram seus sonhos determinou muitos dos privilégios que temos hoje e muitos dos quais não damos valor. Um exemplo é a liberdade de expressão. Há quarenta anos tê-la era magnífico! E hoje mal sabemos o poder que temos em nossa boca. Hoje temos também, além da liberdade de falar, a liberdade para agir e pensar como quisermos. Absolutamente normal, incontestável e irrevogável, né? É, mas eles também não podiam pensar e agir como bem entendessem e se o fizessem teriam que arcar com duras conseqüências. Devia ser extremamente ruim viver em um mundo ditatorial e opressor como esse, compreende-se a rebelião de tantos jovens em busca de um futuro. Mas além de todas essas heranças há uma implícita nesse contexto inusitado.


Há quarenta anos uma multidão saia às ruas com cartazes, armas, ou com a própria voz gritando pelos seus direitos, pelos seus sonhos, por um mundo melhor. Eles pensavam em si, é claro, mas olhavam adiante porque sabiam que aquelas atitudes imediatistas e rebeldes podiam transformar não só o presente, mas o futuro das próximas gerações. Eles tinham a força, se uniram e lutaram sem hesitar. Porque nós permanecemos tão apáticos a tudo que acontece ao nosso redor? Porque nos tornamos tão egoístas ao ponto de restringir a nossa força à realização dos nossos próprios sonhos? Porque ignoramos os problemas do mundo, que nos atingem diretamente, simplesmente por estarmos tão acomodados? Porque não somos capazes de renunciar em prol do outro? Porque eu estou sentando aqui, escrevendo para você sentado aí, ao invés de irmos fazer alguma coisa por aquela criança que vai passar mais uma noite na rua? Eu tenho minha comida garantida, minha cama quente me esperando, o aconchego do meu lar e o carinho da minha família. Mas há quem está catando comida no lixo, quem está se escondendo das balas perdidas. Eu tenho força e vontade de mudar o mundo e acredito que podemos mudá-lo, para mim, para todos e para os que virão. E você?





" Sonho que se sonha sozinho, é só um sonho. Sonho que se sonho junto, é realidade"

3 comentários:

Eduardo Porto disse...

Nossa Lari, parabéns pelo texto. Depois de uma semana tão pessimista e que quase me dá outro piripaque, é bom ler um texto motivacional como ele.

Um beijão, estou com saudades, dá uma passada lá no meu blog.

Mais um beijo pra ficar par.

ccauan disse...

Caralho larissa! muito lindo esse texto ó.
e tens razão, hoje o comodismo tem feito de nós os jovens meras marionetes. tiramos proveito do que foi conquistado por nossos pais, tios, avós. mas não procuramos conquistar nada pra deixar pros nossos filhos, sobrinhos , netos...
vi recentemente um filme, "batismo de sangue" que fala sobre o frei tito, aquele que se suicidou depois de ter sido monstruosamente torturado durante a ditadura... e realmente me empolguei pra ampliar as poucas ações que faço, na verdade gostraria de ter raça pra pôr minha vida mergulhada em um só propósito, e que ele fosse real e e não-egoísta como são meus propósitos atuais (me formar e depois ganhar muito dinheiro)
putz! muito bom mesmo teu texto, e vai o conselho, viu? veja "batismo de sangue" muito bom tbm
beijãOo

Jesus de Nazaré disse...
Este comentário foi removido pelo autor.